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Quem cresceu nos anos 90 lembra do som: uma ficha caindo na máquina, a tela acendendo e aquele grito de “Hadouken!” ecoando pelo fliperama. Agora pensa comigo: e se eu te dissesse que o lutador mais famoso dos videogames, o Ryu, nasceu de uma lenda japonesa cheia de exagero, e que a versão “de verdade” dessa lenda é um brasileiro da Bahia? Pois é. A história do Street Fighter é muito mais maluca do que parece, e ela fica ainda mais interessante agora, porque o filme Street Fighter estreia amanhã, 15 de outubro, nos cinemas do Brasil.
Eu assisti a um vídeo excelente do canal Nerd Show que conta essa trajetória, e fui atrás dos detalhes. Neste artigo eu te levo do rabisco num caderno de reunião até as telonas, passando pelo Super Nintendo, pelo Master System brasileiro e por um karateca baiano que fez o Japão inteiro parar.
A história do Street Fighter começou com um rabisco
Tudo começou de um jeito bem pouco glamoroso. Takashi Nishiyama, designer da Capcom, estava numa daquelas reuniões em que ninguém presta muita atenção. Enquanto o papo rolava, ele teve uma ideia simples: e se o jogo juntasse lutadores de várias artes marciais, de vários cantos do mundo, para brigar num lugar só?
A ideia virou projeto e, em 1987, chegou aos fliperamas o primeiro Street Fighter. Muita gente chama de “Street Fighter 1”, mas o nome era só Street Fighter mesmo, a “briga de rua”.
E o jogo tinha umas esquisitices. Uma das versões do gabinete vinha com dois botões enormes sensíveis à pressão: quanto mais forte você batia, mais forte saía o golpe. Imagina a cena no boteco, a molecada socando a máquina com toda a força. Era divertido, mas as máquinas não aguentavam o tranco e quebravam com frequência.
O que já existia no primeiro jogo
Mesmo sendo um sucesso só razoável, o primeiro jogo já trazia o DNA de toda a franquia:
- Ryu era o jogador 1 e Ken, o jogador 2.
- O Hadouken, a famosa bola de energia, já estava lá.
- O Shoryuken, o “soco do dragão”, também.
- O Tatsumaki, aquele chute giratório, completava o trio.
E tem uma curiosidade ótima sobre o Hadouken. Ele foi inspirado no canhão de uma nave de um anime que passou aqui no Brasil como Patrulha Estelar. A ideia foi pegar aquele raio gigante e fazer ele sair das mãos de um lutador.
Outro detalhe que os mais novos nem imaginam: ninguém sabia os comandos. Não tinha tutorial, não tinha internet. Você descobria o Hadouken por acaso, mexendo a alavanca e apertando botão, e saía espalhando o segredo pros amigos. Essa sensação de descoberta era metade da graça.
Street Fighter II: o jogo que mudou os fliperamas

Depois do primeiro jogo, parte da equipe original saiu da Capcom e foi trabalhar na concorrente. A Capcom precisou montar um time novo para a continuação, e isso acabou sendo uma bênção.
O novo time tinha uma regra curiosa: se uma ideia não fizesse a equipe rir em voz alta, ela não estava boa o bastante. Parece estranho para um jogo de luta, mas faz todo sentido. Num fliperama lotado, um grupo rindo e gritando em volta de uma máquina atrai todo mundo. Era propaganda de graça.
Por isso os personagens de Street Fighter II são tão marcantes:
- Dhalsim estica os braços como se fossem de borracha.
- Blanka, o nosso “brasileiro”, ganhou pele verde e virou o cara que dá choque.
- Guile tem aquele cabelo reto que até hoje vira meme.
- Chun-Li ficou famosa pelas pernas e pelos chutes rápidos.
Cada lutador tem um traço que você reconhece de longe. E isso foi decisivo para o sucesso.
Os números do sucesso de Street Fighter II
Em 1991 o jogo explodiu no mundo todo, e no Brasil não foi diferente. Street Fighter virou assunto na escola, lotou os botecos com máquina e, quando chegou ao Super Nintendo, levou a febre para dentro de casa.
Os números impressionam. Só no Japão, dezenas de milhares de máquinas foram vendidas entre a versão original e as edições seguintes. O cartucho do Super Nintendo passou de 6 milhões de unidades. E estima-se que o jogo tenha gerado bilhões de dólares só em fichas de fliperama.
O sucesso transbordou para outras mídias: teve filme nos anos 90, desenho animado e o anime Street Fighter II V, de 1995, com 29 episódios, que muita gente assistiu na TV aberta.
O Street Fighter II que só existiu no Brasil
O Brasil sempre foi querido pela Capcom, e tem uma história que eu adoro. A Tectoy, que cuidava da Sega por aqui, decidiu fazer uma versão de Street Fighter II para o Master System, um console de 8 bits que já estava “aposentado” no resto do mundo.
Levou cerca de um ano de trabalho. Quando a equipe mostrou o jogo no Japão, a reação foi de espanto: rodar Street Fighter II num aparelho daqueles parecia impossível. O jogo foi aprovado e saiu só aqui, em 1997. Hoje é um cartucho raro e disputado por colecionadores. Se você tem um guardado, vale dar uma olhada no preço.
Quem é o Ryu e de onde veio a inspiração

Para entender o Ryu, a gente precisa voltar ao enredo. Ken era um garoto rico dos Estados Unidos que foi mandado ao Japão para aprender disciplina. Lá ele treinou com o mesmo mestre do Ryu, e os dois cresceram como irmãos.
Ken voltou para casa, assumiu os negócios da família, virou campeão de torneios e ficou meio exibido. Ryu seguiu outro caminho: virou um andarilho que roda o mundo atrás de adversários mais fortes. Ele não luta por dinheiro nem por fama. Luta para se aperfeiçoar.
E tem um lado sombrio. No primeiro jogo, na luta final contra Sagat, Ryu sente uma força maligna crescer dentro dele e acerta o golpe que deixa a famosa cicatriz no peito do rival. Desde então, ele tenta controlar essa escuridão, o chamado Satsui no Hado, que aparece em vários jogos da série.
Mas Oyama: o “Chuck Norris japonês”
Essa figura do lutador solitário tem tudo a ver com Mas Oyama, um dos maiores nomes das artes marciais do Japão. Segundo as lendas, ele enfrentava touros e quebrava os chifres com um golpe, treinou 18 meses isolado nas montanhas e lutou contra 300 homens seguidos sem perder.
O criador de Street Fighter assistia muito a um anime baseado no mangá Karate Baka Ichidai, que contava as “aventuras” de Oyama como se fossem verdade. E várias coisas da trajetória do Ryu batem com essa história.
O problema é que muito do que o mangá conta não tem documentação. A luta contra 300 pessoas, por exemplo, é bem difícil de acreditar. Oyama era um rei do marketing. Mas ele lutava de verdade, e muito.
A parte da história que quase ninguém conta
Mas Oyama nasceu nos anos 1920, mas não no Japão. Ele nasceu na Coreia. Numa época em que coreanos eram mal vistos no Japão, ele precisou mudar de nome e esconder o passado para conseguir espaço. Teve dificuldade até para encontrar moradia.
Ele também achava que o karatê japonês tinha ficado “de mentirinha”, com golpes que paravam antes de encostar. Por isso criou o próprio estilo, o karatê Kyokushin, de contato pleno. O pessoal achou bruto demais, até que os lutadores dele começaram a ganhar tudo. E os famosos 18 meses na montanha? Aconteceram, mas tiveram mais a ver com o caos do pós-guerra do que com uma busca espiritual.
O brasileiro que era o Ryu de verdade
Agora vem a parte que me deixou de queixo caído. Se o Ryu é uma lenda exagerada, existe um lutador cuja história é toda comprovada. E ele é baiano.
Em 1972, Oyama mandou um representante para cuidar do Kyokushin na América do Sul. Dessa semente surgiu Francisco Alves Filho, que começou a treinar aos 11 anos, influenciado pelos filmes de luta da TV. Aos 18, já era campeão sul-americano.
Em 1991 ele enfrentou Andy Hug, um dos maiores ícones do esporte, que achou que teria uma luta fácil contra um adversário menor. Francisco encaixou o seu famoso chute no rosto, o “Brazilian kick”, e venceu. Em 1999, se tornou o primeiro estrangeiro a vencer o campeonato mundial de Kyokushin no Japão.
O teste das 100 lutas
Lembra dos 300 homens da lenda de Oyama? Ela inspirou um desafio real do Kyokushin: o teste das 100 lutas. O atleta enfrenta 100 adversários seguidos, faixas-pretas descansados, em combates de 2 a 3 minutos.
Em 1995, num ginásio em Tóquio, Francisco completou o desafio sem perder nenhuma: foram 76 vitórias e 24 empates. E, segundo o próprio relato, ele não precisou ir para o hospital depois, algo raro para quem encara essa prova.
Depois ele foi para o K-1, evento japonês que juntava lutadores de vários estilos num torneio de eliminação, muito parecido com Street Fighter. Ficou famoso pelos nocautes rápidos e pelo chute de cima para baixo. Virou celebridade no Japão.
E olha a coincidência: em 1997, Street Fighter III trouxe o Sean, um karateca brasileiro que luta no estilo do Ryu e é aluno do Ken. A Capcom nunca disse que era o Francisco. Mas precisa?
O filme Street Fighter estreia amanhã nos cinemas
Toda essa história chega às telonas amanhã. O novo filme Street Fighter, produzido pela Legendary (a mesma de Duna e Godzilla) e distribuído pela Paramount, estreia em 15 de outubro de 2026 no Brasil, como confirmou o Omelete. A direção é de Kitao Sakurai, da série Twisted Metal.
A trama se passa em 1993, na era de ouro de Street Fighter II. Chun-Li convoca Ryu e Ken para o World Warrior Tournament, e por trás do torneio existe uma conspiração do M. Bison, o líder da organização criminosa Shadaloo. O filme também explora a relação desgastada entre os dois “irmãos”.
Elenco do filme Street Fighter
- Andrew Koji como Ryu
- Noah Centineo como Ken
- Callina Liang como Chun-Li
- David Dastmalchian como M. Bison
- Jason Momoa como Blanka
- Cody Rhodes como Guile
- Roman Reigns como Akuma
- 50 Cent como Balrog
- Vidyut Jammwal como Dhalsim
- Olivier Richters como Zangief
Pelo que o trailer mostra, o filme aposta na nostalgia e no humor, do jeito que o Street Fighter II fazia nos fliperamas. Quem jogou vai caçar referências. Quem nunca jogou vai ver um filme de ação para a família inteira.
Onde jogar Street Fighter hoje: PC, Xbox ou PS5

Saiu do cinema com vontade de soltar um Hadouken? A boa notícia é que Street Fighter 6, o jogo mais recente da série, está disponível no PC, no Xbox Series e no PlayStation 5.
Eu, que já tive um Xbox Series e vendi, hoje jogo tudo no PC. Mas sei que muita gente prefere a praticidade de um console na sala, ligado na TV, com o controle na mão e os amigos no sofá. Para jogo de luta, essa experiência local ainda é imbatível. Por isso separei três opções:

Console Xbox Series S 512GB Branco
- SSD de 512 GB e jogos em até 1440p a 120 FPS.
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Compre no Mercado LivreCompre na AmazonO Xbox Series S é a porta de entrada mais barata. É pequeno, silencioso e roda Street Fighter 6 muito bem. Só lembre que ele não tem leitor de disco.

Console Xbox Series X 1TB Preto
- SSD de 1 TB, jogos em 4K e até 120 FPS.
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Compre no Mercado LivreCompre na AmazonO PS5 Slim é o console preferido de muita gente na comunidade de luta, e a versão com disco deixa você comprar jogo físico e revender depois.
Se você joga no PC como eu, vale conferir também o nosso guia de como ver o FPS nos jogos do PC para ver se o seu computador está entregando o desempenho que deveria.
Conclusão: muito além de um jogo de luta
A história do Street Fighter mostra que um rabisco numa reunião chata pode virar um fenômeno mundial. Ela passa por botões que quebravam, por um Hadouken inspirado em desenho animado, por um mestre japonês que inflou a própria lenda e por um baiano que provou, luta após luta, que a força do Ryu podia ser real.
Agora, quase 40 anos depois, Ryu e Ken chegam aos cinemas mais uma vez. Se você viveu a época das fichas, vai se emocionar. Se você é da nova geração, vai entender por que seus pais falam tanto desse jogo.
Então chama a galera, garante seu ingresso e depois aproveita para jogar. E me conta aqui nos comentários: qual era o seu lutador favorito no Street Fighter II, e você vai ao cinema ver o filme? Quero saber se o Roda no PC tem mais fãs do Ryu ou do Ken!



